quinta-feira, 23 de julho de 2009

E se o mundo não acabar?

“Nossa, isso só vai acontecer no dia em que o mundo acabar!”, dizia a minha avó toda vez que ela escutava alguma coisa muito absurda ou fora do normal. Bom, minha vó, está tudo acontecendo. Eu entendo que para os céticos é mais difícil acreditar, mas de alguns anos para cá, tudo que parecia impossível tem acontecido. Desde desastres naturais de proporções bíblicas, até questões sociais e humanitárias que fogem completamente dos parâmetros que conhecemos como “humanos”.

Eu posso ficar enumerando, mas deixe-me dar apenas alguns exemplos: O tsunami que dizimou boa parte da costa asiática. A guerra no Iraque que já matou milhões. A fome na África, que embora seja um problema que chamou a atenção nos anos 70 e 80, continua sem solução. Parece até que os quatro cavaleiros do apocalipse já estão aqui, mas ao invés de montar cavalos e terem suas caveiras à mostra, eles vieram em carros europeus e usam máscaras bem ricas e poderosas.

Talvez a essa altura você já concorde comigo, mas se você estiver, pare e reflita. É capaz de todas essas coisas já estarem acontecendo a centenas de anos e só agora, devido ao advento da internet e da globalização, que nós temos noção de todos esses fatos. É, meus amigos, pode ser que assim como nós, a Terra vem morrendo desde o dia em que nasceu, mas agora, deste começo deste século, tudo parece mais conectado.

Mas o que realmente me intriga não é que ainda haja tanta dor e sofrimento no mundo, mas sim, como existe tanta gente que não faz nada. Eu sei que a ignorância é uma benção. Mas ela, a ignorância, já deixou de fazer diferença faz algum tempo, desde a década de 90, graças a invenção da internet.

Se na década de 60, os jovens norte-americanos contavam com seus governantes para lhes passar as informações do mundo, e muitos deles se rebelaram contra o sistema por não confiarem na veracidade dessas informações. Agora, cada cidadão, de cada nação tem seus próprios meios. A internet tornou possível o que os especialistas chamam de aldeia global. Um conceito tão extraordinário que bota o índio do interior da Colômbia em contato com as notícias de conflitos do noroeste chinês.

Isso é realmente extraordinário! Quero dizer, se você pegar um povo como a Índia, cheia de costumes e tradições, e expor seus problemas a um indivíduo que more no Alaska, quem sabe ele, por estar olhando de fora, com uma mentalidade completamente diferente, não consiga encontrar soluções para problemas que nenhum indiano consegue. A internet possibilitou o ser humano de ir buscar respostas para seus dilemas em qualquer parte do mundo.

Sei que posso estar parecendo utópico, assim como sei que estou abusando do gerúndio, mas a verdadeira questão aqui é que nada disso importa mais. O mundo pode acabar em breve, e todas as respostas irão acabar junto com ele. Maremotos na Ásia, furacões na América, fome na África, nada disso vai existir se os Maias (e seu calendário) estiverem certos.

Contudo, eles podem estar errados. E se aquela data do calendário significar apenas um grande “Réveillon”? Uma grande passagem de tempo, em que nada vai mudar. Será que nem o medo da extinção da raça humana nos motivaria a tentar nos entender e resolver todos esses problemas? Eu sei que só Deus para resolver questões como terremotos e tufões, mas e quanto à fome? A humanidade construiu pirâmides, se organizou para vivem em sociedade, colocou estátuas no alto de montanhas, criou o estatuto dos direitos humanos, construiu um muro para dividir uma nação e depois o derrubou, mas não consegue resolver a questão da violência urbana ou da miséria em que tantas pessoas vivem?

Eu não quero ser específico no problema e muito menos na solução. Não quero criar novas guerras entre grupos que acham a sua solução melhor do que a do outro, mas tudo que eu peço é que vocês pensem! Não é possível que seja tão difícil escutar os problemas da humanidade com o coração e responder com o cérebro. Afinal de contas, vai que o mundo não acaba. Não seria esse o momento perfeito para a humanidade refletir e entender que o melhor modo de cada um viver bem individualmente, é pensando no coletivo.

Então aqui vai a minha dica: Pensem, discutam, reajam! Mas não fiquem dentro de seus apartamentos, confinados como ratos, estocando água mineral e lanternas a bateria, achando que isso pode salvá-los do fim dos tempos. Não deixem o medo, ou até mesmo (principalmente) a preguiça impedir você de lutar. Não seja mais um escravo da rotina, achando que você veio a esse mundo só para trabalhar e beber cerveja no final de semana. Viva este momento histórico e faça a diferença. Mesmo por que viver num mundo tão devastado e dolorido como o nosso, no fundo, é como não viver.

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